Anna Wintour faz 70 anos. O percurso de uma inglesa que conquistou a América e o trono da Vogue
Celebra 70 anos mas há 31 que dá cartas no mundo da moda. No mês do seu aniversário damos-lhe a conhecer o percurso profissional da mulher que tem um dos cargos mais cobiçados do mundo editorial: o de "editor-in-chief" da Vogue.
A infância em Londres e um início de carreira pouco brilhante
Anna Wintour nasceu a 3 de novembro de 1949, em Londres. Filha de Charles Wintour e de Eleanor Baker, a jovem cresceu no bairro de Hampstead e no seio de uma família numerosa, academicamente bem-sucedida e com ligações ao jornalismo. Muito cedo optou por construir o seu próprio caminho e, após terminar os estudos no North London Collegiate, trocou a vida universitária pelo mundo laboral.
“A minha carreira começou de forma instável quando desisti da escola aos 18 anos. Apesar de não ter habilitações académicas, consegui trabalho como assistente de moda na [revista] Harper’s & Queen”, recordou num discurso proferido, em 1997, no encontro Women In Journalism, citado pelo The Guardian.
As constantes associações ao pai, que durante praticamente 20 anos exerceu a função de editor do jornal London Evening Standard, fizeram com que, em 1976, mudasse de país em busca de uma carreira no mundo da moda, longe do peso do nome Wintour. Ao chegar aos Estados Unidos integrou diversas publicações, entre elas a New York Magazine, Viva e Savy. Mas nem sempre tudo correu às mil maravilhas. “O meu primeiro trabalho nos Estados Unidos foi como junior fashion editor na Harper’s Bazaar, do qual desfrutei mas não por muito tempo porque fui despedida pelo editor-in-chief, que me disse que era demasiado europeia. Na altura não percebi o que ele quis dizer, mas em retrospetiva acho que queria dizer que era obstinada, não aceitava orientações”, afirmou sobre o seu início de carreira.
Em 1985 regressa a Londres para ocupar o lugar de Bea Miller na liderança da edição da Vogue britânica. “Eu sempre sonhei um dia poder editar a Vogue britânica e foi uma oportunidade à qual não pude resistir”, confessou a Tina Brown durante a conferência Live Media/Women in the World, em 2019. Um sonho que foi sol de pouca dura. Em 1987 muda-se definitivamente para a Big Apple e no ano seguinte aceita aquele que acabou por se tornar no trabalho da sua vida: o de editor-in-chief da Vogue americana, cargo que ocupa há 31 anos.
“Acho que o meu pai decidiu por mim que eu devia trabalhar em moda. Não me lembro bem que formulário é que tinha de preencher, mas sei que no fim devíamos colocar os nossos objetivos profissionais e eu fiquei a pensar no que é que deveria fazer e ele disse: ‘Tu vais escrever que queres ser editora da Vogue.’ E foi isso, ficou decidido”, afirmou em 2009, durante o documentário The September Issue.
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